O Núcleo Educação do Ecossistema Alta Piatã só faz sentido se estiver apoiado em princípios que não se dobram à conveniência de governos, modas pedagógicas, interesses de mercado ou disputas partidárias. Em um tempo em que a educação é usada tanto para emancipar quanto para reforçar desigualdades, é preciso declarar, por escrito, o que este núcleo nunca aceitará negociar.
Primeiro: educação como direito e não privilégio. Isso significa reconhecer que toda pessoa, em qualquer idade, tem direito de aprender ao longo da vida, com respeito à sua realidade, sua cultura e seu tempo. O Núcleo Educação existe para iluminar caminhos de acesso, mostrar oportunidades, apoiar processos formativos e cobrar condições mínimas para que estudar não seja luxo, sacrifício extremo ou aventura solitária.
Segundo: dignidade humana e valorização das diferenças. A educação que defendemos não admite humilhação, preconceito ou violência simbólica contra estudantes, educadores, famílias ou comunidades. Em Piatã e região, isso quer dizer respeitar o jeito de falar, o tempo de aprender, as identidades, as crenças, as tradições e os saberes territoriais, sem reproduzir a ideia de que só o conhecimento “de fora” tem valor.
Terceiro: educação para desenvolvimento local. Aprender não pode ser apenas um passaporte para “ir embora”, mas também uma ferramenta para fortalecer a própria terra. O Núcleo Educação se compromete a mostrar, sempre que possível, como a formação escolar, técnica, comunitária e digital pode contribuir para melhorar a vida em Piatã: na agricultura, no comércio, na cultura, na gestão pública, na organização social.
Quarto: educação midiática e cidadania digital. Num mundo em que boa parte do que as pessoas aprendem chega pelas telas, não basta falar de internet apenas como “ferramenta de pesquisa”. O Núcleo Educação assume o compromisso de apoiar a formação de cidadãos digitais críticos, capazes de entender como a informação circula, identificar desinformação, proteger seus dados, usar tecnologias com ética e participar da vida pública também no ambiente online.
Quinto: escuta ativa de educadores, estudantes e comunidades. Nenhum princípio se sustenta se for decidido de cima para baixo, sem ouvir quem está na sala de aula, na coordenação, na gestão escolar, nos projetos comunitários, nas famílias. O Núcleo Educação se compromete a tratar professores, monitores, mediadores culturais, lideranças comunitárias e estudantes como vozes centrais na construção de pautas, critérios e propostas.
Sexto: transparência e responsabilidade na informação educacional. Quando o ecossistema tratar de temas como vagas em escolas, resultados educacionais, programas públicos, bolsas, cursos e projetos, fará isso com clareza de fontes, explicação de contexto e separação entre dado, opinião e promessa. A confiança da comunidade é o bem mais importante e não será trocada por manchetes fáceis, sensacionalismo ou alinhamento cego com qualquer grupo.
Sétimo: compromisso com inclusão e proteção dos mais vulneráveis. Crianças, adolescentes, pessoas idosas, populações tradicionais, pessoas com deficiência e grupos historicamente excluídos terão atenção redobrada na forma como aparecem nas histórias, nos dados e nas imagens ligadas à educação. O Núcleo Educação não usará a dor de ninguém como espetáculo e buscará sempre fortalecer redes de cuidado ao redor de quem mais precisa.
Todos os capítulos, matérias, séries especiais, campanhas e projetos associados ao Núcleo Educação estarão submetidos a estes princípios. Quando houver dúvida entre o caminho mais fácil e o caminho coerente com este manifesto, esta lista será o texto de referência para lembrar por que este núcleo existe e para quem ele trabalha.